Por que um Museu do Sexo no Brasil? O projeto de criação do Museu do Sexo está inserido nesta contemporaneidade rica em novas formas de expressão e de informação. Nossa missão é coletar, preservar e tornar acessível ao público e aos profissionais de saúde todo e qualquer material que tenha natureza na sexualidade e na erótica, e relevância para integrar o patrimônio cultural, antropológico, social e histórico da formação da sexualidade do povo brasileiro. Além da história, da antropologia e das artes, disciplinas
por excelência afins aos museus, a medicina, a psicologia, a educação,
a lingüística, a biologia, o imaginário popular, a
espiritualidade formam a multidisciplinaridade a partir da qual o papel
da sexualidade humana e a erótica na sociedade será apresentado
neste espaço. Olhar o Brasil A história da sexualidade é a própria história da vida humana. E pensar sobre a sexualidade no Brasil, remete de pronto aos registros históricos da descrição dos corpos e práticas sexuais dos povos autóctones feita por Pero Vaz Caminha, aos personagens históricos portugueses que criaram clãs nas nações indígenas e à miscigenação forçada e exploradora do senhor branco da casa grande contra as negras das senzalas. Dito desta forma, a história da sexualidade no Brasil parece ser a história da repressão sexual e do domínio de raça, cultura e gênero de um povo sobre outros povos.
No entanto, a partir desta base racial formada pelo branco, pelo negro
e pelo índio, em que cada um aporta sua cultura, sua religião,
seus mitos, sua linguagem, sua ciência, sua sexualidade, seus afetos,
seus desejos, derivam outros grupos oriundos de novas miscigenações
e que formam novas tradições que lhe conferem identidade.
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