Sala sexo e ciências

Homem e Mulher:
Transtornos da Sexualidade

Homem

• Ejaculação Precoce

A ejaculação precoce (EP) é um transtorno da sexualidade muito comum entre os homens. Pesquisas recentes indicam que de cada três homens um é portador deste transtorno, embora a maioria não o reconheça como uma dificuldade ejaculatória. Kinsey (1948) estimava que 80% dos homens norte-americanos ejaculavam em até dois minutos ao penetrarem suas parceiras. A partir de critérios diagnósticos posteriormente consolidados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (1993), estudos sobre a prevalência da EP revelaram que esta atinge entre 29 a 40% da população masculina sexualmente ativa.

• Definição

Foram empreendidas tentativas de definição de EP com base apenas no tempo médio entre a penetração e a ejaculação.

Esta definição, no entanto, não levava em conta que há casais que podem se satisfazer plenamente em uma relação de 2 ou 5 minutos, enquanto, para outros, este tempo é absolutamente inadequado. Também não abrange os ejaculadores precoces que chegam ao orgasmo antes da penetração.

Em outra tentativa de definição, calculou-se o número de movimentos pélvicos que o homem necessitava para ejacular.

Se o homem tinha uma determinada quantidade de movimentos ou menos em um tempo “x” era diagnosticado como ejaculador precoce. Caso ejaculasse, por exemplo, após 5 minutos de penetração vaginal, não era considerado ejaculador precoce. Este intento de definição concentrava-se em diagnosticar a EP no homem, mas não fazia referência à satisfação sexual da mulher que poderia requerer bem mais de que 5 minutos para o orgasmo.

Masters & Johnson (1979) definiram o ejaculador precoce como o homem que não satisfaz sua parceira em mais de 50% das relações sexuais por ejacular antes que a mulher chegue ao orgasmo. No entanto, a maioria das mulheres não tem orgasmo apenas pela penetração vaginal e esta definição não contempla a estimulação do clitóris pela fricção do pênis, fundamental para o orgasmo feminino.

Kaplan (1974) define a EP como a falta de controle voluntário adequado sobre a ejaculação, de modo a determinar o orgasmo antes do desejado. A contribuição de seu trabalho está na idéia de que o controle ejaculatório deve ser natural, sem esforço e voluntário, o que não ocorre no ejaculador precoce. A autora introduz a interferência da ansiedade no desempenho sexual do homem como um fator desencadeante da EP.

Durante a primeira metade do século XX atribuía-se a EP a fatores orgânicos e, minimamente, a fatores emocionais. Hoje, é sabido que cerca de 90% dos casos de EP têm causas psicogênicas e apenas uma minoria se deve a disfunções orgânicas.

Atualmente a definição de EP adotada pela OMS (1993) é “a incapacidade de controlar a ejaculação o suficiente para ambos os parceiros gozarem a interação sexual”, desde que descartadas causas orgânicas. Os critérios diagnósticos podem incluir a freqüência de EP em relação ao coito, o tempo decorrido entre a penetração e a ejaculação, o número mínimo de incursões vaginais e as ejaculações antecipadas ao coito.

A EP é classificada em: primária (quando o homem nunca teve controle sobre ela) e secundária (quando após um evento ou época da vida perdeu o controle ejaculatório). A prevalência é maior entre a população jovem e menor entre os homens acima de 50 anos. .

• Causas

Não se definiram as causas orgânicas para a EP. Raramente pode estar associada a lesões na L1, infecções no aparelho geniturinário ou problemas da próstata.

A causa majoritária está nos fatores psicossociais. O desconhecimento das etapas da resposta sexual, tanto por parte dos homens como das mulheres, desempenha um importante papel na falta de percepção de homens e casais de que há um transtorno da sexualidade que afeta o relacionamento.

De acordo com Kaplan (1974) a EP é resultante da falta de aprendizagem das reações prazerosas na resposta sexual do homem, isto é, ele ejacula automaticamente ainda na fase de excitação, impossibilitando-o de usufruir plenamente a transição para a fase do orgasmo. Em conseqüência, a resposta sexual da parceira também é comprometida.

É comum que a maioria dos homens experimente episódios de EP em suas primeiras relações sexuais. Geralmente estes episódios são atribuídos à falta de experiência, ao desconhecimento da resposta sexual da parceira, à ansiedade quanto ao desempenho sexual socialmente cobrado da figura masculina e à insegurança de satisfazer a parceira.

Experiências sexuais condicionadas, como relações sexuais apressadas e improvisadas, sentimento de culpa por temor de ser flagrado no ato sexual (tal como na masturbação), expectativa quanto a ejaculação ocorrer tão rápido como na masturbação, falta de maior intimidade ou entendimento sexual com a parceira e seguimento de padrões culturais que preconizam que a mulher não deve sentir prazer são elementos bastante comuns ao homem com EP.

Há homens que aprendem a controlar a ejaculação conforme cresce a experiência nas relações sexuais. Atentam para as reações do próprio corpo e o da parceira, dialogam sobre as preferências sexuais e as razões da ansiedade que influem no tempo da ejaculação. No entanto, um terço dos homens mantêm o padrão de EP e necessitam de tratamento.

• Efeitos da EP no Homem e na Mulher

A ejaculação precoce persistente pode ter efeitos bastante negativos na vida sexual do homem e de sua parceira.

Geralmente o ejaculador precoce refere perda ou diminuição da sensibilidade durante a ejaculação, o que pode levar à perda da ereção e do desejo sexual. Isto ocorre porque o homem está tão preocupado tentando evitar a ejaculação antes do tempo que não consegue satisfazer-se plenamente na relação sexual. Para tentar evitar a EP, o homem começa a abster-se dos jogos sexuais e das carícias íntimas, o que compromete a excitação e a lubrificação vaginal da parceira, podendo causar uma penetração dolorosa.

Ao evitar os jogos sexuais e a excitação da parceira, o homem vive a ansiedade de retardar a ejaculação e ao mesmo tempo se frustra porque a mulher ficará insatisfeita sexualmente. A parceira de um ejaculador precoce pode, com o tempo, apresentar um transtorno de desejo sexual, por preferir não manter relações sexuais que a deixam momentaneamente excitada, mas que não resultam em orgasmo.

• Tratamento

Até o momento não existem medicamentos específicos para o tratamento da EP. Como as causas do transtorno são de origem psicossocial, o tratamento adequado é a psicoterapia (do homem ou do casal), a fim de diminuir a ansiedade ou angústia que interfere na relação sexual, aumentar a consciência das reações do corpo e melhorar a qualidade da experiência erótica.

Na psicoterapia são trabalhados o controle, os medos, as angústias e as frustrações para que possam ser administrados paulatinamente. Há técnicas que ajudam o indivíduo a começar a reconhecer os sinais enviados por seu corpo, de modo a perceber qual o grau de excitação em que se encontra e quão próxima está a ejaculação. Gradativamente o homem controla a excitação e, em conseqüência, evita a ejaculação antes do tempo.

Além da psicoterapia, os antidepressivos ajudam a controlar a ansiedade e a angústia, e tem o efeito colateral de retardar a ejaculação o que contribui na terapêutica do controle da mesma.

Fonte:

Abdo, C. H. N. (Org.) – Sexualidade Humana e seus Transtornos. São Paulo, Lemos, 1997.

Associação Psiquiátrica Americana – DSM-IV. Porto Alegre, Artes Médicas, 1995.

Ejaculação Precoce. Em: http://www.portaldasexualidade.com.br

Kaplan, H. S. – Enciclopédia Básica de Educação Sexual. Rio de Janeiro, Record, 1983.

OMS – Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10. Descrições Clínicas e Diretrizes
Diagnósticas. Porto Alegre, Artes Médicas, 1993.

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