Sala sexo e ciências

Sexualidade e Reprodução

• Métodos Naturais ou Comportamentais

Abstinência Sexual

Geralmente indicada por normas religiosas ou morais, a abstinência consiste em renunciar voluntária e conscientemente a qualquer forma de ato sexual, seja oral, anal ou vaginal. Mais presente entre os clérigos de diferentes denominações religiosas, é também orientada como padrão de comportamento em várias sociedades aos indivíduos que ainda não casaram. Em alguns grupos sociais a abstinência é periódica, observando meses sagrados, meses pós-parto, durante a adolescência ou antes de ritos de passagem para a vida adulta.

Quando a abstinência sexual é total, há 100% de eficácia contraceptiva. Por outro lado, é difícil a uma pessoa abster-se do sexo por toda a vida. Não é raro que quando ocorre o rompimento da abstinência, seja praticado o sexo sem prevenção anticoncepcional e com risco de contrair alguma DST, dado o desconhecimento do que é o exercício seguro da sexualidade.

Método do Muco Cervical

Também conhecido como Método Billings, se baseia na observação de mudanças na quantidade e consistência do fluxo vaginal ao longo do ciclo menstrual. Próximo ao dia da ovulação, a vagina elimina um muco transparente e viscoso semelhante à clara de ovo. O método consiste em perceber a elasticidade e aparência do muco e evitar as relações sexuais, pois a mulher está no período fértil.

A mulher que opta por este método deve ter ótimo conhecimento de seu ciclo menstrual e ser capaz de boa avaliação da consistência do muco cervical. Além disso, deve levar em conta que eventos emocionais ou condições de saúde podem alterar o muco e fornecer um falso resultado.

É necessário registrar em um calendário as etapas do ciclo menstrual, que se inicia no primeiro dia de menstruação. Os dias correspondentes ao começo e término da menstruação são considerados inférteis. Anotam-se também todas as ocorrências de fluxos vaginais: quando apareceram, a cor, a consistência, a quantidade e quando desapareceram.

Ao terminar a menstruação a maioria das mulheres sente por vários dias que a vagina está menos lubrificada, com ausência de muco e sensação de secura. Este período é chamado de dias secos e inférteis.

Na metade do ciclo ocorre a ovulação e a vagina expele um muco ovulatório cristalino, elástico e abundante. A mulher entra no período fértil e deve evitar relações sexuais até o quarto dia depois do último dia de eliminação do muco, caso não empregue outro método anticoncepcional. O muco é recolhido com um papel higiênico ou com os dedos na entrada da vagina.

Quatro dias após o término da eliminação do muco, a mulher entra novamente no período infértil que se estende até a próxima menstruação.

Este método possui baixa eficácia porque depende de fatores que nem sempre estão sob controle da mulher:

1.é requisito que o ciclo menstrual seja muito bem regulado, por isso é contra-indicado para adolescentes;

2.a consistência e duração do fluxo vaginal variam bastante entre as mulheres, pois depende da atividade dos ovários quanto ao tempo que levam para amadurecer o óvulo e produzir os hormônios;

3.os dias férteis e inférteis podem variar naturalmente de um mês para o outro;

4.se houver infecção vaginal o fluído por ela produzido pode ser confundido com o muco cervical e;

5.estresse e medicamentos podem alterar o dia da ovulação e o aspecto do muco cervical.

Mesmo que todas as condições requeridas por este método forem cumpridas, sua eficiência contraceptiva não ultrapassa 85%.

Empregar somente este método anticoncepcional interfere nas relações sexuais ocasionais, imprevistas e espontâneas da mulher, porque ela precisa estar atenta a seus períodos férteis e avaliar a duração e aspecto do fluxo vaginal.

Relação sem Penetração

Consiste em manter relações sexuais sem penetração vaginal ou anal (porque o esperma pode escorrer para a vulva). Outras práticas sexuais estão liberadas como beijos, abraços, carícias, masturbação e sexo oral com preservativo.

Quando não há contato do pênis com a vagina e se o sêmen for ejaculado longe da vulva, o método tem eficiência contraceptiva próxima a 100%. Maior eficácia é conseguida se for combinado com uso de preservativo.

Este método é muito seguro contra DST desde que não haja troca de fluídos corporais. Tem a vantagem de permitir maior intimidade entre os parceiros e prolongar a estimulação sexual. Por outro lado, a ausência de coito por longo período pode resultar na insatisfação sexual de um ou ambos parceiros.

Tabelinha

O método consiste em determinar os dias férteis do ciclo menstrual, isto é o dia da ovulação e os dias imediatamente anteriores e posteriores a ela durante os quais a mulher não deve manter relações sexuais sem prevenção. Utiliza-se uma tabela, tipo calendário, na qual a mulher registra os dias da menstruação e calcula o dia aproximado da próxima ovulação. Para conhecer a regularidade do ciclo, os registros devem ser feitos por pelo menos seis meses, e preferencialmente por um ano.

Para o cálculo da faixa dos dias férteis, deve-se tomar o ciclo mais longo e o mais curto do período registrado. Por exemplo, se uma mulher menstrua a cada 27, 28, 29 e 30 dias, toma-se o ciclo mais curto (27) e desse número subtrai 18 (27-18 = 9). Em seguida toma-se o período mais longo (30) e desse número subtrai 11 (30-11 = 19). Com este cálculo se estima que a partir do nono dia do ciclo (contando desde o primeiro dia de menstruação) até o décimo-nono dia há grande probabilidade de engravidar, se a mulher mantiver relações sexuais sem a adoção de um método anticoncepcional adjuvante.

Apesar de bastante popular, utilizar a Tabelinha (Método de Ogino-Knauss) como método anticoncepcional é inseguro, devido às variações dos ciclos menstruais. Este método não é aconselhável para adolescentes, pois seus ciclos menstruais ainda são irregulares e os dias férteis oscilam bastante.

Utilizar somente a Tabelinha como método anticoncepcional condiciona a mulher a abster-se de relações sexuais por longo período a cada ciclo, além de dificultar a espontaneidade e eventualidade destas relações.

Temperatura Basal

Este método visa controlar a temperatura corporal basal de modo a identificar o dia em que há ovulação. Geralmente a ovulação ocorre no dia do ciclo em que houver a menor temperatura corporal.

A temperatura corporal basal é a temperatura do corpo quando este se encontra em repouso absoluto por 6 a 8 horas. Por essa razão, a temperatura deve ser medida todos os dias pela manhã, sempre à mesma hora, antes de se levantar e em completo jejum.

Utiliza-se um termômetro digital ou de mercúrio bem graduado capaz de registrar mínimas variações de temperatura. O termômetro pode ser colocado na boca, na vagina ou no reto, mas todos os dias no mesmo local. O tempo de medição não deve ser inferior a 3 minutos.

Em um papel milimetrado marcam-se os dias do ciclo menstrual e, para cada dia, a temperatura medida.

Conforme são registradas as temperaturas, um gráfico é criado a partir do terceiro mês no qual são visualizadas as alterações durante o ciclo. Os dias considerados inférteis são os da menstruação e os dias anteriores ao nível mais alto de temperatura. O período em que a mulher deverá abster-se de relações sexuais com penetração corresponde ao dia de término da menstruação até quatro dias a contar desde que foi registrado o aumento de temperatura.

Método trabalhoso e de baixa eficácia porque a temperatura basal é freqüentemente alterada por fatores orgânicos e externos tais como: sono agitado, estresse, medicamentos, febre, transtornos emocionais, ingestão de bebidas alcoólicas, uso de drogas e eventos (como viagens, trabalho noturno) que não permitam à mulher medir a temperatura em um determinado dia.

Fontes:

Melo, N. R.; Pereira Filho, A. S. – Anticoncepção: Manual de Orientação. Febrasgo, Rio de Janeiro. 1997.

Petta, C. A.; Faundes, A. – Métodos Anticoncepcionais. São Paulo, Contexto, 1998.

Pinho Neto, J. S. (Org.) – Temas Especiais de Anticoncepção: Febrasgo. Rio de Janeiro, Revinter, 1999.

Rubí, M. L. – Los Anticonceptivos. Madrid, Aguilar, 1996.

Anticoncepção. Disponível em: http://www.sogesp.com.br/protocolos/manuais/anticoncepcao. Acessado em 31/10/2004.

Manual de Anticoncepção. Disponível em: http://www.anticoncepcao.org.br/.
Acessado em 12/11/2004.

 


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