Sala sexo e ciências

Sexualidade e Reprodução

• MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS.

• Métodos Hormonais

Adesivo Transdérmico

Método anticoncepcional mais recente, o adesivo transdérmico é composto por hormônios que impedem a ovulação e, conseqüentemente, a gravidez. O adesivo é colado à pele e libera os mesmos hormônios encontrados nas pílulas anticoncepcionais, porém em menor concentração. Tem formato retangular de 3,6 cm e três camadas: a externa (que protege a camada adesiva), a adesiva (que contém os hormônios etinilestradiol e norelgestromina) e a camada transparente (que protege a camada adesiva e deve ser retirada antes da aplicação).

Ao ser colocado sobre a pele, o adesivo libera os hormônios pouco a pouco para a corrente sangüínea os quais são transportados até o cérebro que, por sua vez, altera a produção de hormônios responsáveis pela ovulação. A ação do adesivo promove também alterações no muco cervical, tornando-o mais viscoso, o que dificulta o trânsito de espermatozóides.

Por ser um método anticoncepcional que age por liberação de hormônio no organismo da mulher, a decisão de utilizá-lo não deve prescindir de consulta médica para orientação e certificação de que não há gravidez.

Os adesivos são colocados durante três semanas consecutivas (21 dias) e suspensos por uma semana (dias de descanso). Cada adesivo é usado por uma semana e em seguida, trocado. O primeiro adesivo é colocado nas primeiras 24 horas do período menstrual. O segundo, no oitavo dia do ciclo; o terceiro, no décimo-quinto dia do ciclo. Ao término dos 21 dias de uso, suspende-se a aplicação do adesivo por sete dias para que a mulher possa menstruar. Caso o primeiro adesivo seja aplicado após o primeiro dia do ciclo menstrual, é necessário que a mulher empregue um contraceptivo de apoio, como o preservativo, para maior segurança do método.

Recomenda-se também que no dia da troca do adesivo a mulher primeiro aplique o novo, verifique se está bem aderido à pele e somente então retire o adesivo anterior. Na eventualidade do adesivo se soltar antes de completar uma semana de uso, outro deve ser colocado imediatamente no mesmo lugar.

O adesivo pode ser aplicado nas nádegas, abdômen, antebraço ou parte superior do dorso. Nunca aplicar sobre os seios. Cada vez que o adesivo for substituído, aplicar o novo em região diferente do corpo, para evitar irritação da pele. Não há contra-indicações para banho e atividade física, mas deve-se evitar o uso de roupas muito justas que causem atrito.

O adesivo transdérmico é um dos métodos anticoncepcionais mais fáceis de usar e apresenta poucas contra-indicações e efeitos secundários. Como cada adesivo é aplicado por uma semana, é reduzido o risco de esquecimento quando comparado ao contraceptivo oral de uso diário. Seu índice de eficácia contraceptiva é de 99%, embora os estudos disponíveis sejam bastante recentes (2002). Não é, porém, um método eficaz contra o HIV e as DST, portanto para preveni-las o preservativo continua indispensável.

Algumas mulheres que usam o adesivo podem ter efeitos secundários como dor nas mamas, náuseas, dor abdominal, cólicas menstruais e irritação da pele. Quanto às contra-indicações, em princípio não é recomendado para mulheres acima de 90 kg, fumantes, maiores de 35 anos ou portadoras de cardiopatias específicas ou alguns tipos de câncer.

Anel Vaginal

Outro método anticoncepcional recente, consiste em um anel intravaginal de plástico flexível e transparente (evatane), de 5 cm de diâmetro e 4 mm de espessura. O dispositivo contém as substâncias hormonais sintéticas etonogestrel e etinilestradiol (derivadas do estrogênio e da progesterona) que são liberadas continuamente e absorvidas pela mucosa vaginal. A ação dos hormônios inibe a ovulação, o que impede a concepção, e espessa o muco cervical criando uma barreira à movimentação dos espermatozóides.

Por ser um método anticoncepcional que age por liberação de hormônio no organismo da mulher, a decisão de utilizá-lo não deve prescindir de consulta médica para orientação e certificação de que não há gravidez.

Cada anel vaginal deve ser usado para um ciclo menstrual. A própria mulher o introduz até o fundo da vagina, no quinto dia da menstruação, deixando-o por 21 dias. Após esse período, no próprio dia da semana em que foi inserido, a mulher deve retirá-lo e permanecer uma semana sem colocar outro anel (dias de descanso). Por exemplo: se a mulher colocar o anel em uma segunda-feira às 20h, deverá removê-lo três semanas depois, em uma segunda-feira às 20h. Passada uma semana, isto é, na próxima segunda-feira, colocar um novo anel.

Ao deixar de usar o anel por uma semana, há ovulação e menstruação. Um novo anel pode ser inserido mesmo que a menstruação não tenha terminado. Para maior segurança nesses dias de descanso, é recomendável que o parceiro use preservativo.

Ao contrário do que ocorre com diafragma e do capuz cervical, a inserção do anel vaginal é bastante fácil. O dispositivo é macio, flexível, confortável e geralmente não é percebido no dia a dia ou durante a relação sexual, oferecendo à mulher o controle da adoção de um método contraceptivo.

Para inserir o anel, a mulher deve pressionar a borda entre os dedos médio e polegar até estreitá-lo e então acomodá-lo no fundo da vagina. Para removê-lo após três semanas, inserir dois dedos na vagina até encontrar a borda e puxá-lo para fora, descartando-o em seguida.

O anel vaginal é um dos métodos anticoncepcionais mais fáceis de usar e apresenta poucas contra-indicações e efeitos secundários. Como é usado continuamente durante 21 dias, é reduzido o risco de esquecimento em relação ao contraceptivo oral de uso diário. Seu índice de eficácia contraceptiva é de 99 a 99,5%, mas não é um método eficaz contra o HIV e as DST, portanto para preveni-las o preservativo continua indispensável.

Ao utilizarem o anel vaginal algumas mulheres podem ter efeitos secundários leves a moderados, tais como dores de cabeça, maior sensibilidade das mamas, vaginite, náusea, ganho de peso, desconforto vaginal e expulsão espontânea do dispositivo.

O anel vaginal está contra-indicado para mulheres grávidas, ou portadoras de transtornos circulatórios, diabetes mellitus, cardiopatias, pressão arterial alta, tumores no fígado, nas mamas ou nos órgãos genitais, ou fumantes.

Implante Subdérmico

Em sua forma mais comum, consiste em um bastonete de silicone polimerizado de 4 cm de comprimento e 2 mm de diâmetro implantado na face interna superior do braço. Os implantes também podem ser produzidos na forma de cápsulas de silicone com 3,4 cm de comprimento e 2,4 mm de diâmetro. O implante libera continuamente por três a cinco anos baixas doses de um hormônio sintético que inibe a ovulação, aumenta a viscosidade do muco cervical, criando uma barreira ao trânsito de espermatozóides e atrofia o endométrio. Dependendo do fabricante, os hormônios utilizados são: levonorgestrel, desogestrel, nomegestrol ou elcometrina.

A decisão de adotar o implante como método anticoncepcional deve ter orientação e avaliação médica. Em princípio, o método está indicado para mulheres que desejem retardar a primeira gravidez por longo período, que pretendem maior intervalo entre uma gravidez e outra, que não tenham se adaptado à disciplina requerida pelos anticoncepcionais orais ou que busquem uma alternativa à laqueadura tubária, pois diferentemente desta, o implante pode ser revertido a qualquer momento. Na consulta médica também deverá ser descartada a possibilidade de a mulher estar grávida, pois esta é uma contra-indicação absoluta ao implante.

A inserção do implante é feita entre o primeiro e o sétimo dias do ciclo menstrual. Caso o implante seja feito após o oitavo dia do ciclo, a mulher deve usar um contraceptivo auxiliar até o início do próximo ciclo. O médico aplica anestesia local e faz uma pequena incisão no lado interno superior do braço. Nesta incisão é inserido um aplicador (trocarte) com o bastonete de implante em seu interior. A sutura não é necessária e as bordas da pele podem ser aproximadas e fixadas com bandagem.

Cada implante tem validade contraceptiva de três anos. Após este período, ou quando desejar suspender o método anticoncepcional, a mulher deve retornar ao médico para removê-lo. Caso a mulher decida manter este contraceptivo ao final de três anos, no mesmo dia que remover o anterior, outro pode ser colocado em seu lugar.

Este método tem 100% de eficácia contraceptiva, não necessita de acompanhamento médico pós-implante (exceto se ocorrerem graves reações adversas) e dispensa o controle diário ou mensal que outros métodos requerem. O implante não tem eficácia contra qualquer DST ou HIV. Para o sexo seguro, o preservativo é imprescindível.

A mulher deve ser informada pelo médico de que o uso do implante geralmente altera o padrão menstrual. Na maioria das mulheres essa alteração é benéfica, pois há redução dos dias de fluxo, do sangramento, das cólicas e dos sintomas da TPM ou supressão da menstruação (amenorréia) que não causa dano à saúde e reverte o quadro de anemia ferropriva. Em menor medida, há mulheres que podem sofrer aumento do fluxo menstrual e dos sintomas de desconforto, infecção no local do implante, ganho de peso, maior sensibilidade nas mamas, acne, cefaléia, náuseas e vertigens.

O implante pode ser feito imediatamente após um aborto de até segundo trimestre, na sexta semana após o parto se a mulher amamentar, imediatamente se a mulher não amamentar, e imediatamente após a mulher suspender o uso de outro método contraceptivo.

O implante está contra-indicado para mulheres portadoras de grave doença hepática ou tromboembolismo, que usem medicamentos anticonvulsivantes, que têm ou tiveram câncer de mama ou sofram sangramentos vaginais não diagnosticados.

Anticoncepcional Injetável

As injeções anticoncepcionais são de dois tipos: 1. injeção mensal de anticoncepcional combinado (estrogênio e progesterona) e 2. injeção trimestral de anticoncepcional só de progesterona.

Os anticoncepcionais injetáveis inibem a ovulação, o que impede a concepção. Atrofiam o endométrio e promovem o espessamento do muco cervical de modo a criar uma barreira à passagem dos espermatozóides.

A decisão de adotar a injeção de hormônio como método anticoncepcional deve ter orientação e avaliação médica. Em princípio, o método está indicado para mulheres que não tenham se adaptado à disciplina requerida pelos anticoncepcionais orais ou tenham sofrimento importante com seus efeitos secundários. A mulher deve ser informada pelo médico que embora possa descontinuar o uso do método, sua ovulação poderá levar até um ano para se regularizar, o que pode ser um impedimento se houver desejo de gravidez logo após a interrupção das injeções. Na consulta médica também deverá ser descartada a possibilidade de a mulher estar grávida, pois esta é uma contra-indicação absoluta à administração de hormônios.

A injeção mensal ou trimestral não protege contra qualquer DST ou HIV. Para o sexo seguro, o preservativo é imprescindível.

1. Injeção mensal de anticoncepcional combinado

Os injetáveis mensais estão disponíveis em três composições hormonais dependendo do laboratório fabricante:

• 25 mg de acetato de medroxiprogesterona e 5mg de cipionato de estradiol;
• 50 mg de enantato de noretisterona e 5 mg de valerato de estradiol;
• 150 mg de acetofenido de dihidroxiprogesterona e 10 mg de enantato de estradiol.

A aplicação é feita pelo médico ou profissional de saúde, por via intramuscular nas nádegas ou no músculo deltóide. Escolhe-se para início do uso entre o primeiro e o quinto dia do ciclo menstrual, e as aplicações sucessivas são feitas preferencialmente a cada trinta dias. Nas mulheres que possuem o ciclo regular, a aplicação pode ser feita até o sétimo dia. O médico marca a data de retorno para a próxima aplicação, que pode ser feita três dias antes ou três dias depois de completar um mês.

Aplicada a injeção, a mulher não deve massagear ou colocar bolsa de água quente no local, pois estes procedimentos fazem com que alta dose hormonal seja absorvida rapidamente pelo organismo.

O efeito contraceptivo tem início logo no primeiro mês de uso e as doses podem ser contínuas, sem necessidade de períodos de descanso. O método possui alta eficácia, com taxa de falha que varia entre 0,1% e 0,6% no primeiro ano de uso.

A administração de hormônios pode causar efeitos colaterais como amenorréia, aumento do sangramento, vertigem, cefaléia, ganho de peso ou anovulação por período maior que o desejado pela mulher. O método é contra-indicado para mulheres portadoras de hepatopatia grave, câncer genital ou mamário, sangramento vaginal não diagnosticado, lactantes há menos de seis meses ou fumantes.

Geralmente o anticoncepcional injetável mensal produz efeitos benéficos na saúde da mulher tais como: redução das cólicas menstruais e do sangramento, alívio da endometriose, auxílio na prevenção de câncer de endométrio, de ovário, mioma uterino e doença inflamatória pélvica, diminuição da incidência de gravidez ectópica e de cistos ovarianos. Ajuda na prevenção da anemia.

2. Injeção trimestral de anticoncepcional só de progesterona

O injetável trimestral contém 150 mg de acetato de medroxiprogesterona em ampola da 1ml.

A aplicação é feita pelo médico ou profissional de saúde, por via intramuscular nas nádegas ou no músculo deltóide. Escolhe-se para início do uso entre o primeiro e o sétimo dia do ciclo menstrual, e as aplicações sucessivas são feitas preferencialmente a cada noventa dias. Se a aplicação for feita a partir do oitavo dia do ciclo, deve ser recomendado o uso de mais um contraceptivo se houver relações sexuais nas 48 horas posteriores. O médico marca a data de retorno para a próxima aplicação, que pode ser feita duas semanas antes de completar três meses ou duas semanas depois.

Aplicada a injeção, a mulher não deve massagear ou colocar bolsa de água quente no local, pois estes procedimentos fazem com que alta dose hormonal seja absorvida rapidamente pelo organismo.

O efeito contraceptivo tem início logo no primeiro mês de uso, estendendo-se com segurança até 90 dias. As doses podem ser contínuas, sem necessidade de períodos de descanso. O método possui alta eficácia, com taxa de falha que varia entre 0,1% e 0,3% no primeiro ano de uso.

A administração de alta dose de progesterona pode causar os seguintes efeitos colaterais: alteração de humor, amenorréia, irregularidade menstrual, vertigem, cefaléia, ganho de peso, aumento da sensibilidade mamária ou anovulação por período de até um ano quando houver descontinuidade do método. Em menor medida, pode haver diminuição da libido, depressão, desconforto abdominal e acne. O método é contra-indicado para mulheres portadoras de hepatopatia grave, câncer genital ou mamário, sangramento vaginal de origem não diagnosticada, lactantes há menos de seis meses, fumantes e menores de 16 anos.

Geralmente o anticoncepcional injetável trimestral produz efeitos benéficos à saúde da mulher, tais como: redução das cólicas menstruais e do sangramento, alívio da endometriose, auxílio na prevenção de câncer de endométrio, câncer de ovário, mioma uterino e doença inflamatória pélvica, diminuição da incidência de gravidez ectópica e de cistos ovarianos e ajuda na prevenção da anemia.

Minipílula

Anticoncepcional oral com baixa dose de progesterona e nenhuma dose de estrogênio. A minipílula ou pílula progestínica (PP) contém um dos seguintes hormônios: 0,35 mg de noretisterona, 0,030mg de levonorgestrel ou 0,5 mg de linestrenol. A baixa dosagem hormonal e a ausência de estrogênio tornam este método o mais indicado para mulheres que amamentem, embora possa ser usado também por aquelas que não estão no período de lactação.

Os principais mecanismos de ação da minipílula são o espessamento do muco cervical, de modo a criar uma barreira à passagem dos espermatozóides e a alteração do endométrio, para impedir a implantação do óvulo fecundado. Em cerca de 50% das mulheres que não amamentam, há inibição da ovulação durante o uso, tornando impossível a concepção.

A decisão de adotar a minipílula como método anticoncepcional deve ter orientação e avaliação médica. Primeiro, o médico deve descartar a possibilidade de a mulher estar grávida, pois esta é uma contra-indicação absoluta. Em seguida, informar à mulher que este método requer bastante disciplina para ser eficaz, pois a ingestão da minipílula é diária. Finalmente, esclarecer que a minipílula tem maior eficácia entre as mulheres que estão amamentando e, por isso, passam por um ciclo natural de menor fertilidade, do que em mulheres que não amamentam.

A mulher pode começar a tomar a minipílula seis semanas após o parto, imediatamente após um aborto ou desde o primeiro ao quinto dia do ciclo menstrual. Caso o início de uso da minipílula se der após o quinto dia do ciclo, a mulher deve usar um contraceptivo auxiliar nas primeiras 48 horas.

A dosagem é de uma minipílula por dia sempre na mesma hora. Na mulher que não amamenta, o atraso de algumas horas na ingestão do contraceptivo aumenta o risco de gravidez. O contraceptivo é de uso contínuo, todas as minipílulas são ativas e não há dias de descanso. Quando uma cartela termina, imediatamente inicia-se a próxima cartela.

No caso de a mulher esquecer de tomar a minipílula, por algumas horas ou um dia, deve recorrer a um contraceptivo auxiliar (como o preservativo) durante 48 horas e retomar o uso correto do método.

A eficácia deste contraceptivo depende totalmente do modo correto de uso. Nas mulheres que amamentam, o índice de eficácia contraceptiva da minipílula varia entre 99,5 a 99,7%. Entre aquelas que não amamentam, não há estatísticas conclusivas quanto ao índice de eficácia, mas há um consenso de que é menor do que o da pílula combinada convencional. Este método não tem eficácia contra qualquer DST ou HIV. Para o sexo seguro, o preservativo é imprescindível.

Os efeitos colaterais mais comuns são sangramento entre as menstruações, amenorréia, manchas de sangue (spotting), fluxo menstrual abundante, cefaléia e aumento da sensibilidade mamária. Nas mulheres que amamentam, as alterações menstruais são menos perceptíveis, mas em geral a ausência de menstruação é mais prolongada.

O método está contra-indicado para mulheres que têm ou tiveram câncer de mama e doença hepática grave. Nestes casos, o médico orienta a paciente a utilizar outro método contraceptivo não hormonal.

Pílula

Conhecida na farmacologia como anticoncepcional hormonal combinado oral (AHCO), a pílula é composta por hormônios sintéticos semelhantes ao estrogênio e progestogênio. A depender do fabricante, este contraceptivo está disponível em diferentes dosagens e posologias.

A ação combinada dos hormônios inibe a ovulação, o que impede a concepção, altera o endométrio e espessa o muco cervical, criando uma barreira à movimentação dos espermatozóides.

Atualmente são três os esquemas mais utilizados de estrogênio associado ao progestogênio, que permitem classificar as pílulas em:

• monofásicas – disponíveis em embalagens de 21 ou 22 drágeas ativas, todas com a mesma composição e dose. Alguns fabricantes adicionam 6 ou 7 drágeas de placebo para que a cartela complete 28 drágeas. Estrogênios mais utilizados: mestranol e etinilestradiol. Progestogênios mais utilizados: noretindrona, linestrenol, norgestrel, levonorgestrel, desogestrel, gestodeno, acetato de ciproterona e drospirenona;

• bifásicas – as cartelas contêm dois tipos de drágeas ativas em duas cores diferentes. As drágeas em número de 22, têm hormônios iguais, porém com dosagens diferentes de acordo com a cor. A posologia é aquela informada na bula do produto. Estrogênio utilizado: etinilestradiol. Progestogênio utilizado: desogestrel;

• trifásicas – as cartelas contêm três tipos de drágeas ativas em três cores diferentes. As drágeas, em número de 21 ou 22, têm hormônios iguais com dosagens diferentes de acordo com a cor. A posologia é aquela informada na bula do produto. Estrogênio utilizado: etinilestradiol. Progestogênios mais utilizados: noretindrona e levonorgestrel.

A decisão de adotar o anticoncepcional oral deve ter orientação e avaliação médica. O médico deve descartar a possibilidade de a mulher estar grávida, pois esta é uma contra-indicação absoluta ao uso. Um cuidadoso exame clínico reúne informações quanto a patologias ou condições que contra-indiquem o uso deste método ou que requeiram um acompanhamento médico mais freqüente. A mulher deve ser instruída de que o uso da pílula requer bastante disciplina para ser eficaz, pois é necessário seguir estritamente a posologia.

Quando a mulher estiver em condições clínicas de aderir ao anticoncepcional oral, o médico receita aquele cuja composição hormonal seja mais adequada ao organismo da paciente. Geralmente, são indicadas as pílulas que contêm menos de 35 mg de estrogênio, pois seus efeitos colaterais são menos severos do que aqueles de pílulas antigas com dose elevada desse hormônio.

Na presença de contra-indicações clínicas ou persistência de efeitos colaterais superior a três meses, a mulher é orientada pelo médico a considerar a adoção de outro método contraceptivo.

A mulher pode começar a tomar a pílula preferencialmente no primeiro dia do ciclo menstrual. A pílula com maior dosagem hormonal pode ser consumida nos primeiros sete dias do ciclo. Tomá-la ininterruptamente durante 21, 22, 24 ou 28 dias (a quantidade de pílulas varia conforme o fabricante) e sempre no mesmo horário. Caso o uso do contraceptivo for iniciado após o fluxo menstrual, a mulher deve recorrer a um método de apoio, como o preservativo, durante os sete dias seguintes.

A pílula pode ser usada também seis meses após o parto, se a mulher estiver amamentando; no pós-parto sem amamentação, o início de uso é a partir de seis semanas.

Dependendo da quantidade de drágeas na cartela, há diferentes indicações do modo correto de usar:

• cartela com 21 drágeas: depois de tomar a última drágea, passar sete dias sem o anticoncepcional (dias de descanso), quando há menstruação. Após esse período, tomar a primeira drágea da próxima cartela;

• cartela com 22 drágeas: depois de tomar a última drágea, passar seis dias sem o anticoncepcional (dias de descanso), quando há menstruação. Após esse período, tomar a primeira drágea da próxima cartela;

• cartela com 24 drágeas: depois de tomar a última drágea, passar quatro dias sem o anticoncepcional (dias de descanso). Após esse período, tomar a primeira drágea da próxima cartela;

• cartela com 28 drágeas: depois de tomar a última drágea da cartela, no dia seguinte tomar a primeira drágea da próxima cartela. Não há dias de descanso. Nesta cartela, as sete últimas pílulas são de placebo e se a mulher esquecer de tomá-las não haverá risco de gravidez. Não pode, porém, esquecer de tomar as que contêm hormônios.

A eficácia contraceptiva da pílula depende do uso correto:

• quando a mulher deixa de tomá-la no horário habitual ou em até 12 horas, deve ingeri-la assim que perceber o esquecimento e tomar a próxima pílula no horário habitual (mesmo que tenha que tomar as duas juntas);

• quando o esquecimento for superior a 12 horas (ao deixar de tomar duas ou mais pílulas), deve retomar a ingestão do contraceptivo, excluindo as esquecidas, e usar preservativo ou suspender as relações sexuais até a próxima menstruação. Há risco de gravidez, se nos dias que a pílula não foi ingerida, houver relações sexuais;

• se restarem sete ou mais pílulas na cartela, tomá-las até o final normalmente, observando os dias de descanso;

• se restarem menos de sete pílulas na cartela, tomá-las até o final e iniciar em seguida a próxima cartela, descartando os dias de descanso.

Seguindo estritamente as instruções, o índice de eficácia da pílula é de 99,3 a 99,7%. As eventuais interferências no método, como esquecimento de uma ou mais pílula e interações medicamentosas diminuem a eficácia prática para 95%. O efeito contraceptivo dura somente enquanto a pílula for ingerida regularmente. Ao suspender o uso, a fertilidade da mulher retorna imediatamente. Este método não tem eficácia contra qualquer DST ou HIV. Para o sexo seguro, o preservativo ainda é imprescindível.

Há efeitos colaterais comuns que não requerem interferência do médico nem descontinuidade do método, desaparecendo em até três meses. Freqüentemente há manchas de sangue (spotting) ou sangramento irregular entre as menstruações, que tendem a ser eliminados, quando a pílula é ingerida sempre no mesmo horário. No caso de vômito após uma ou quatro horas da ingestão da pílula, toma-se outra pílula, pois a anterior não teve tempo de ser absorvida. Quando houver diarréia, náusea ou vômito que persistam por mais de 24 horas, não parar a ingestão da pílula; usar um contraceptivo adicional até os sintomas cessarem, o que ocorre em aproximadamente sete dias. O ganho acentuado de peso não é ocorrência normal dos anticoncepcionais modernos. Todos estes sintomas fazem parte do período de adaptação para quem inicia o uso de contraceptivo oral. Passado este período, se os sintomas persistirem, cabe uma reavaliação clínica para prescrição de pílula com outra composição hormonal ou mudança de método.

Caso a mulher apresente outros efeitos como cefaléia intensa ao ingerir a pílula, transtornos visuais, dores contínuas no abdômen, tórax e nos membros, e icterícia é necessário buscar atendimento médico.

A pílula está contra-indicada para mulheres portadoras de patologias ou condições que agravem doenças preexistentes ou que reduzam significativamente a eficácia do método.

Em princípio, não devem ser usadas em mulheres que têm ou tiveram câncer de mama, neoplasias diversas, doenças hepáticas ou da vesícula biliar, tromboflebite, lúpus eritematoso sistêmico, pressão arterial alta, sangramento vaginal de origem não diagnosticada, cardiopatias, diabetes grave, insuficiência renal ou cardíaca, doenças cardiovasculares, cefaléia intensa com distúrbios da visão, depressão, tomam anticonvulsivantes, sejam fumantes acima de 35 anos ou amamentem.

A pílula proporciona, por outro lado, efeitos benéficos à saúde da mulher, tais como: regularização do ciclo menstrual, alívio da TPM e das cólicas, diminuição do sangramento o que ajuda a prevenir a anemia ferropriva, diminuição de cistos ovarianos e de doença inflamatória pélvica, previne o câncer de ovário e de endométrio, tem ação positiva contra acne, artrite reumatóide e doenças benignas das mamas, redução da incidência de endometriose e de mioma do útero, proteção contra gravidez ectópica e osteoporose.

Fontes:

Melo, N. R.; Pereira Filho, A. S. – Anticoncepção: Manual de Orientação. Febrasgo, Rio de Janeiro. 1997.

Petta, C. A.; Faundes, A. – Métodos Anticoncepcionais. São Paulo, Contexto, 1998.

Pinho Neto, J. S. (Org.) – Temas Especiais de Anticoncepção: Febrasgo. Rio de Janeiro, Revinter, 1999.

Rubí, M. L. – Los Anticonceptivos. Madrid, Aguilar, 1996.

Anticoncepção. Disponível em: http://www.sogesp.com.br/protocolos/manuais/anticoncepcao. Acessado em 31/10/2004.

Manual de Anticoncepção. Disponível em: http://www.anticoncepcao.org.br/.
Acessado em 12/11/2004.


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