Sala História e Antropologia da Sexualidade

A Homossexualidade Feminina É um Estado Psicopatológico que Pode ser Curado

Frank S. Caprio (1906- ) é médico psiquiatra norte-americano. Enveredou por textos de auto-ajuda na área da sexualidade e preconizou a auto-sugestão e a hipnose como terapêutica para os transtornos sexuais. Em Ajustamento Sexual, publicado em 1966, aconselha pais, mães e jovens quanto aos comportamentos sexuais sadios, sob sua óptica, e institui normas para lograr bons e felizes casamentos, por serem estes a condição natural do homem e da mulher.

Apesar do anacronismo de seu pensamento, as obras deste autor continuam a ser reeditadas em vários países e a Catholic Medical Association, dos Estados Unidos, descreve Caprio como um dos expoentes da "cura" da homossexualidade.

Ilustração. Rousseau separa-se de um de seus grandes amores, Thérèse. Edição francesa de H. Launette & Cie, Paris, 1889. Fonte: Bibliothéque Publique et Universitaire, Geneva.

Utilizando o tom de aconselhamento e respaldado por suposta base científica, Caprio procura informar à mulher de "boa família " os riscos de comportamentos considerados como desvios sexuais. O tom de aconselhamento é importante para chegar às leitoras que, segundo o autor, podem ter experiências homossexuais por falta de informação e suscetibilidade às insinuações da " lésbica experimentada".

" Todos devem familiarizar-se com a psicodinâmica dos desvios sexuais, pois para compreender o comportamento sexual normal, é preciso também compreender o que causa as aberrações sexuais ou os desvios do comportamento sexual normal. As mulheres devem saber alguma coisa sobre o lesbianismo, sobre como pensam as lésbicas, como elas vivem, e o que acontece a elas. Centenas de milhares de mulheres solteiras e casadas deixam-se seduzir pelo lesbianismo porque são sexualmente mal informadas. Sua inocência e curiosidade neste campo as tornam suscetíveis às propostas da lésbica experimentada".

Caprio apóia a tese da homossexualidade ser um desvio sexual no que denomina de fatos científicos, "os quais podem esclarecer as leitoras e evitar que caiam num tipo de complicação sexual que muito provavelmente lhes trará apenas infelicidade ". Dentre estes fatos, afirma que mulheres homossexuais geralmente são portadoras de transtornos mentais, como neurose, psicose e muitas são hipocondríacas e esquizofrênicas latentes. Atormentadas por sentimentos de culpa ao serem rejeitadas pela família e pela sociedade, tornam-se dependentes químicas, depressivas e podem chegar ao suicídio. Geralmente não são masculinizadas, o que facilitaria a aproximação a seu objeto de desejo. São emocionalmente instáveis, não mantêm relações duradouras e têm ciúme exacerbado. Tudo isto o faz concluir que "o lesbianismo é um sintoma de distúrbio da personalidade ".

O autor valoriza o papel da informação sobre sexualidade proveniente da família, pois o ser humano não nasce homossexual, não há fatores genéticos envolvidos nem distúrbios glandulares. Acredita que parte dos casos de homossexualidade feminina pode dever-se também ao comportamento sexual inadequado do homem e ao medo da maternidade por parte da mulher.

"O lesbianismo tornou-se menos horrível e mesmo algo atraente porque era um meio de evitar a gravidez sem evitar o sexo ; implicava em menor oportunidade de contrair doenças, e era uma fuga do tratamento brutal nas mãos de um macho luxurioso (...) Muitas mulheres ficam desiludidas com o modo desajeitado dos homens em fazer o amor e voltam-se para as mulheres, convencidas de que só mesmo uma mulher pode compreender as necessidades emocionais e físicas de outra. Preferem a maciez do corpo feminino. (...) Acho que se as moças recebessem instrução sobre o controle da natalidade haveria menos lesbianismo ".

As mães deveriam ficar sempre alertas em relação às suas filhas, pois muitas mulheres tornam-se lésbicas por masoquismo a fim de atrair a simpatia maternal.

"Muitas moças afirmam que se tornaram lésbicas porque foram rejeitadas pelas mães. A rejeição pelos pais nunca contribui para o bem-estar físico da filha. Se as mães tivessem em mente este fato, a incidência de lesbianismo diminuiria".

A " frigidez " no casamento seria, em alguns casos, resultante de uma homossexualidade latente ; por sua vez, várias lésbicas conscientes de sua condição se casariam a fim de encobrir a verdadeira preferência sexual.

Caprio assegura que "as lésbicas podem ser curadas, se quiserem ser curadas. Há bastante evidência nas publicações científicas de que as lésbicas têm respondido favoravelmente à psicoterapia. Muitas tornaram-se heterossexuais, casaram-se e gozam de vida familiar feliz ".

De acordo com essa visão, a homossexualidade é uma doença que tanto pode levar a outras doenças como ser o resultado de doenças preexistentes.

"O lesbianismo jamais pôde ser completamente erradicado. Somente pela disseminação do conhecimento científico a respeito dos fatos verdadeiros pertinentes à homossexualidade, poderemos esperar lidar com ele inteligentemente e impedi-lo de tornar-se um sério problema social ".

Fonte :

CAPRIO, F. S. Ajustamento Sexual. São Paulo: Ibrasa, 1966.

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