GRÉCIA • Leda e o Cisne
Leda e o Cisne Certa vez, Zeus ia a caminho da cidade de Tróia e encontrou Leda deitada seminua na relva e parou para contemplá-la de longe. Temendo assustá-la com sua figura gloriosa e resplandecente, Zeus converte-se em um cisne imenso e de bela plumagem para poder cortejar a princesa. O deus supremo temia também que, por ser a bela princesa recém-casada, provavelmente o repeliria. Ao ver o belo cisne se aproximando, Leda senta-se e começa a observá-lo. Diante dos olhos da princesa, o cisne começa a mover suas belas plumas com grande excitação, movimenta seu corpo em uma dança de vai e vem que mostra seu desejo e soa sua voz delicada, emitindo sinais de atração e paixão. Leda estava fascinada e o cisne aproximou-se mais e começou a tocá-la e acariciá-la com suas plumas e seu longo pescoço. Excitada, Leda deitou-se novamente na relva e aguardou que o cisne se deitasse sobre ela, e então se amaram. Meses depois a princesa sente fortes dores e percebe que de seu ventre haviam saído dois ovos: do primeiro, nascem Castor e Helena, do segundo, Pólux e Clitemnestra. Porém Hera, irmã e esposa de Zeus, com ciúmes, persegue e proíbe Leda de viver no reino. Assim, Zeus compensa Leda, convertendo-a em deusa e reservando-lhe um espaço no céu, na forma de uma estrela na constelação de Cisne. Os filhos de Leda e Zeus, Castor e Pólux, tornam-se grandes guerreiros e amigos inseparáveis. Porém Castor (que herdou a mortalidade humana) perde a vida em uma batalha e Pólux (que herdou a imortalidade divina) suplica a Zeus que devolva a vida do irmão. Comovido com esta demonstração de amor fraterno, Zeus propõe a Pólux dividir sua imortalidade, alternando com o irmão um dia de vida e um dia de morte. Assim os irmãos passaram a viver e a morrer alternadamente e Zeus os homenageia com a constelação de Gêmeos, na qual não poderiam ser separados nem com a morte.
Eurídice era uma ninfa casada com o poeta e músico grego Orfeu. Ao caminhar pela mata Eurídice encantou Aristeu, filho de Apolo, e este passou a persegui-la. Durante a fuga, a ninfa foi picada por uma serpente e morreu. Orfeu ficou inconsolável com a perda de sua esposa e decidiu buscá-la no Hades, o reino dos mortos. Mas teria que vencer os obstáculos que tentariam impedi-lo, pois no caminho havia Erínias, Caronte e Cérbero, deuses que protegiam o acesso ao Hades. Orfeu começou a tocar sua lira e o doce som desse instrumento e a beleza de sua voz embeveceram os deuses e o afastaram do perigo. Orfeu suplicou a Hades e a Perséfone que deixassem levar Eurídice ou permitissem que ele ficasse ali com ela. Hades e Perséfone ficaram comovidos com a música e a poesia de Orfeu e permitiram que Eurídice os acompanhasse até a superfície, com a condição de que fosse atrás deles e que Orfeu não olhasse para trás. Ambos subiram do reino dos mortos, mas ao chegar à superfície, Orfeu não resistiu à tentação de olhar sua esposa e, ao fazê-lo, ela desapareceu. Orfeu pediu outra chance aos deuses, mas foi negada. Eurídice ficou separada de seu marido nos Campos Elíseos até que este morreu e pôde juntar-se a ela.
Um rei tinha três belas filhas e Psiquê, a mais jovem, era tão linda que seu pai declarou-a Deusa da Beleza, substituindo a antiga detentora, a deusa Afrodite. Ofendida por tal proposta, Afrodite decidiu provar que Psiquê era uma simples mortal e enviou seu filho Eros para matá-la.
Sem saber da gravidade de seu ferimento, Eros continuou contemplando a jovem que dormia e depois saiu, jurando que nunca lhe faria mal algum. No dia seguinte, Afrodite viu que Psiquê passeava pelo jardim e lastimou que o plano tivesse falhado. A partir de então Afrodite perseguiu e atormentou a jovem a tal ponto que esta abandonou a casa e refugiou-se nas montanhas, com a intenção de suicídio em um precipício que havia ali. Eros assiste a angústia de Psiquê e sabendo de sua intenção suicida, pede a Zéfiro, o vento do Sul, para carregar a amada até uma ilha distante, quando ela se atirasse no precipício. Ali, Psiquê acorda e se vê diante de um grande palácio com as portas abertas para recebê-la. Ao anoitecer, a Terra se cobriu de negro e Eros foi ao encontro da jovem e declarou seu amor. Psiquê não conseguia distinguir as formas de seu enamorado, mas aceitou casar-se com ele. Eros pediu que ela não tentasse descobrir seu nome ou ver seu rosto, pois se assim não o fizesse ele teria que partir e nunca regressar. Um grande desejo de rever suas irmãs arrebatou Psiquê. Ao encontrá-las, contou toda sua história e o encontro com o amado. Invejosas da beleza de Psiquê, as irmãs a convenceram de que o jovem seria um monstro, tão terrível que não queria ser visto, e que se não tivesse cuidado a devoraria. Então a aconselharam a levar uma lamparina e uma adaga, para poder vê-lo e, se fosse um monstro, matá-lo. Deixando Psiquê, as irmãs retornam para casa e recordam a história que ouviram. Na esperança de encontrar um amado e um palácio iguais, se atiram no precipício e morrem. Psiquê torna a encontrar Eros na noite seguinte e, quando este adormece, ela acendeu a lamparina e empunha a adaga, aproximando-se do amante. A luz ilumina o rosto e a forma de um belo jovem. Tão emocionada ficou Psiquê que não percebeu quando uma gota de óleo caiu sobre o ombro de Eros que o fez despertar imediatamente. Eros pegou seu arco e as flechas e olhou uma vez mais para Psiquê, saindo triste pela janela e, em despedida, exclamou que não havia amor sem confiança. Logo depois, uma tempestade cai sobre o palácio e Psiquê sai assustada, e perde os sentidos. Quando desperta, o sol havia saído, e o palácio e os jardins tinham desaparecido. Chorando de arrependimento, Psiquê seguiu esperando o regresso de Eros. Ele não voltou e Psiquê decidiu novamente pelo suicídio. Nesse momento, encontra-se com Pan e Ceres e conta sua história. Ceres tinha visto Afrodite curando a ferida no ombro de Eros. Aconselhou Psiquê que fosse encontrar a Deusa da Beleza e que se colocasse a seu serviço, realizando todas as tarefas que ordenasse para tentar uma reconciliação. Psiquê seguiu o conselho e trabalhou arduamente para Afrodite que lhe testava continuamente a força e a fidelidade. Como última grande tarefa, Afrodite ordenou que Psiquê fosse ao Hades buscar uma caixa que continha uma poção de beleza, cuja receita era conhecida apenas por Perséfone. Ao regressar do Hades, Psiquê estava tão cansada, triste e insone que decide abrir a caixa para usufruir um pouco da poção que trazia. Mas ao abrir a caixa, liberou um espírito do Sono que envolveu Psiquê e a deixou prostrada no solo. Eros viu o que aconteceu e forçou o espírito a voltar à sua prisão e despertou Psiquê com um beijo de amor. Eros apresentou Psiquê aos deuses do Olimpo e à Afrodite, que deixando de lado a inveja do passado, abençoou a união dos dois.
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