Mitos e Lendas O mito é uma forma de pensamento que permite ao homem interagir com seu espaço natural e, desta maneira, também se reconhecer como parte de uma comunidade específica. Origina-se a partir da narração de um acontecimento antigo, no qual entidades exteriores ao humano atuam de modo a criar, modificar ou destruir uma determinada realidade, seja a origem do Cosmos, do homem, das águas, de um comportamento humano ou de uma instituição. O mito é uma forma do ser humano reagir, desde o particular, ao que o surpreende, ao que é inesperado, anômalo, irregular ou anormal, ordenando as experiências em histórias que explicam aquilo que de outro modo careceria de sentido. Converte-se, assim, em um instrumento que atribui um significado compreensível aos fenômenos do mundo social. Todas as culturas possuem seus mitos. Os registros iconográficos e a transmissão oral de lendas e mitos revelam de que modo o mistério da vida, a reprodução e a morte permeiam as culturas. Estes registros mostram como o espírito humano procurou conhecer, explicar e enfrentar o que lhe é ininteligível ou hostil. Freqüentemente associa-se o mito à religião – dimensão em que reside uma força maior que a do homem, plena de mistérios e de fenômenos aos quais bastam a crença e os ritos –, mas sempre esteve associado também às florestas, à luz, aos mares e rios, ao clima, aos movimentos da Terra e do céu. O exercício da sexualidade, inerente a todo ser humano, é acompanhado por imagens simbólicas desde a pré-História. Nas cavernas e esculturas ficaram registradas figuras de fêmeas grávidas, rituais com dançarinas nuas, desenhos com grandes falos e vulvas avantajadas e as famosas Vênus sem rosto, mas com seios e quadris proeminentes como símbolos de fecundidade. Em um determinado momento o homem vinculou o ato sexual à reprodução, mas sem conhecer o mecanismo reprodutivo como hoje conhecemos, o compreendeu por meio de uma interferência mágica e ordenadora do caos. Em nenhuma sociedade o ato sexual permaneceu como uma simples reação física para liberar as tensões do corpo. Ao contrário, sempre se constituiu em um núcleo básico para a procriação, a organização social e a produção de normas de conduta. O pensamento mítico faz parte da tradição cultural de cada sociedade e em certa medida ainda influi no que é obrigatório, opcional e proibido no comportamento sexual. O imaginário mítico é rico em narrativas sobre a criação do mundo, como as divindades criaram o homem e a mulher, porque os mortais se reproduzem, como surgiram as emoções, quais as forças que devem ser combatidas ou veneradas para manter a fertilidade. E a partir da sexualidade, vários mitos se criaram para explicar as estrelas, os terremotos, os vulcões, a seca, a chuva, o trovão, a doença, a paz e a guerra, a fome e a fartura. Aos mitos podem ser adicionadas outras expressões de transmissão verbal ou artística. Personagens emblemáticos da literatura, da ópera e da história,
como Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, Cleópatra, Heloísa
e Abelardo, Napoleão e Josefina, Giacomo Casanova, Marquês
de Sade, Lady Chattlerley e Carmen reúnem amor, paixão,
sensualidade, ira, traição, sacrifício, perseguição,
devoção e morte, numa síntese de experiências
humanas, potencial a todas as pessoas. Por isso, a seguir serão
apresentados alguns mitos e resumos de algumas famosas histórias
do amor e do erotismo.
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